Notícias

Categorias:

Câmara aprova Lei das Biografias

Após ser aprovada na Câmara, a Lei das Biografias já se encontra em tramitação no Senado, mais precisamente na Comissão de Constituição de Justiça e Cidadania, aguardando o parecer do relator Ricardo Ferraço. Ao mudar de casa, o  PL 393/2011 passa a ser identificado como PLC  42/2014.  Presidida pelo senador Vital do Rego,  a CCJ é, por enquanto, a única comissão prevista para a tramitação do projeto que, dali, seguirá para votação em plenário.

A  Lei das Biografias foi aprovada na Câmara dos Deputados no último dia 6 de maio. O texto libera  a publicação de biografias não autorizadas.

De autoria do deputado Newton Lima, o  projeto permite a distribuição e venda de vídeos e textos que retratam pessoas com trajetórias que interessam à sociedade ou tenham “dimensão pública”. Atualmente a legislação dá aos biografados e seus herdeiros o poder de vetar biografias feitas sem permissão.

“A ausência de autorização não impede a divulgação de imagens, escritos e informações com finalidade biográfica de pessoa cuja trajetória pessoal, artística ou profissional tenha dimensão pública ou esteja inserida em acontecimentos de interesse da coletividade”, diz o projeto.

O texto foi aprovado no ano passado de forma conclusiva na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e deveria ter seguido diretamente para apreciação no Senado. Porém, um recurso apresentado pelo deputado Marcos Rogério obrigou que a matéria fosse submetida à votação do plenário.

No plenário, os deputados acrescentaram uma emenda de autoria do deputado Ronaldo Caiado que prevê que a pessoa que se sentir atingida em “sua honra, boa fama ou respeitabilidade” poderá requerer por meio de juizados de pequenas causas a exclusão do trecho ofensivo à reputação na reprodução “futura das obras”.

O deputado Newton Lima observou que o projeto acabou só sendo votado agora porque a pauta do plenário ficou trancada durante meses pelo Marco Civil da internet e por outras matérias, desde o fim do ano passado. Segundo ele, com o debate instalado na sociedade sobre o assunto, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, “percebeu a importância do tema para o país e inseriu o projeto na reunião dos líderes partidários que define a pauta do plenário”.

Agora, Newton Lima disse que espera que o Senado vote a matéria “o mais breve possível”. Na sua opinião, é o Congresso que precisa decidir pelo fim da censura às biografias, “porque foi onde o erro começou, em 2002, ao não se atentar para o artigo 20 do Código Civil que prevê a possibilidade de censura”.

A presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Sônia Jardim, comemorou a aprovação da Lei das Biografias pela Câmara dos Deputados. Segundo ela, a necessidade de autorização prévia para publicação de biografias era um “resquício da ditadura injustificável num regime democrático”:

“A gente nunca sabe como vão acabar essas votações, então, fica sempre uma dúvida do que vai acontecer. Estou sentindo muito orgulho da Câmara. Agora, vamos esperar a votação no Senado. Temos uma expectativa de que o projeto também seja aprovado lá e siga a diante. O caso ganhou muita repercussão no ano passado e muita gente desinformada opinou contra as biografias sem saber o que estava falando. Hoje, eu não tenho mais conhecimento de grupos que estejam atuando contrário à liberação das biografias”.

Para o advogado da ANEL, Gustavo Binenbojm, a aprovação do PL 393/2011 representou “um grande avanço na defesa da liberdade de expressão e ao direito à informação em geral”. Ele, porém, acredita que a emenda incluída no texto do projeto significa um “retrocesso”:

“A emenda estabelece que pessoas que se sentirem atingidas em sua honra, boa fama ou respeitabilidade podem postular a supressão de trechos da obra. O texto tem uma enorme amplitude semântica. O que é exatamente ser atingido em sua honra, boa fama ou respeitabilidade? Uma biografia pode conter informações verdadeiras que não condizem com a dita boa fama de uma pessoa. É um subjetivismo que pode levar à censura”.

Segundo ele, o “grande avanço” a ser perseguido, agora, no Senado, é pela aprovação do projeto na sua redação original. Isso porque, na sua avaliação, a emenda pode provocar ainda mais problemas para os editores, uma vez que dá para o Juizado de Pequenas Causas o poder, de na prática, censurar uma obra.

“A emenda é uma porta aberta à censura judicial. Esse assunto é muito delicado e relevante para a democracia e é preciso tomar muito cuidado, no Brasil, com o ‘toma lá dá cá’. Nossa legislação já tem meios para evitar e punir abusos em relação ao direito de imagem. O Senado tem uma tradição mais progressista do que a Câmara e deve fazer valer o seu papel de revisor dos atos da Câmara”, defendeu o advogado Gustavo Binenbojm.

Veja a íntegra da Lei das Biografias

Últimas Notícias
Novo formato do relatório antipirataria da ABDR
Livro em branco contra pirataria na Feira de Londres
Presidente do SNEL participa de reunião da IPA
ABDR tem vitória inédita contra Telegram
Presidente do SNEL fala sobre IA em evento de organização internacional
2026 começa com resultados positivos
Parceira do SNEL, DELL oferece descontos únicos durante o mês de março
Guia das editoras: lista preliminar