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Série histórica ‘10 anos de Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro’ é lançada no SNEL

O presidente do SNEL, Marcos da Veiga Pereira, comenta os dados do levantamento ao lado da Profª Leda Paulani e da economista Mariana Bueno, da Fipe/USP
O presidente do SNEL, Marcos da Veiga Pereira, comenta os dados do levantamento ao lado da Profª Leda Paulani e da economista Mariana Bueno, da Fipe/USP. | Foto: Divulgação/Marcos Ramos

Agosto de 2016 – O auditório do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, no Centro do Rio, foi palco da apresentação de um panorama inédito sobre a performance da indústria do livro, que contou com a presença do presidente do SNEL, Marcos da Veiga Pereira, nesta quarta (24). O evento reuniu editores, livreiros, pesquisadores, jornalistas e agentes do cenário cultural.

Divulgada anualmente pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo SNEL, a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – conhecida como ‘Pesquisa Fipe’ – ganhou uma edição especial, que compila pela primeira vez os números de uma década de atividade editorial no país.

A pedido das entidades, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) preparou uma série histórica que analisa o desempenho real do mercado livreiro do Brasil nos últimos dez anos, a partir dos índices levantados pela instituição desde 2006.

Analisados pela professora Leda Paulani, da Fipe/USP, os dados – retirados de estudos anteriores – foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) e trazidos a valores de 2015.

De acordo com o presidente Marcos da Veiga Pereira, que é membro da comissão de pesquisa do SNEL desde 2000, a importância do dossiê “10 anos de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro” é possibilitar um maior entendimento sobre a indústria do livro através de uma base comparativa sólida. “Nosso objetivo principal é oferecer uma série definitiva sobre esse período, que sirva como documento estatístico e histórico para consultas futuras”, diz.

Outro propósito, segundo Pereira, é esmiuçar separadamente cada subsetor – Didáticos, Obras Gerais, Religiosos e Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP) – do mercado. “É importante examinar as especificidades para observar efetivamente o que os segmentos em particular significam para a indústria como um todo”, afirma.

A plateia participou de um debate ao final da apresentação. Foto: Divulgação/Marcos Ramos
A plateia participou de um debate ao final da apresentação. | Foto: Divulgação/Marcos Ramos

A série histórica mostra que as vendas de livros de todos os subsetores do mercado editorial brasileiro apresentaram performance inferior à do PIB do país, no período entre 2006 e 2015. “Em cada um deles, foi possível medir a participação do governo no mercado, os índices de faturamento, o número de exemplares e, por fim, verificar qual foi a evolução do setor geral em relação à economia do país. Dada a grande carência de leitura no Brasil, esperávamos que a indústria livreira andasse minimamente alinhada com o PIB, o que não aconteceu”, completa o presidente do SNEL.

O estudo aponta que o segmento Obras Gerais (com livros de ficção e não-ficção) foi o mais afetado: a categoria sofreu duas quedas bruscas na última década – entre 2009 e 2011 (24,6%) e de 2014 para 2015, quando encolheu 22,8%. As compras do Governo, que chegaram a representar 18% do faturamento, caíram para menos de 5% em 2015, com a suspensão dos programas de bibliotecas escolares.

Já o subsetor Didáticos ficou praticamente estável ao longo destes dez anos. É o segmento com maior participação do Governo, que chegou a representar 50% do faturamento e 2/3 do volume de exemplares.

Os livros Religiosos apresentaram o melhor desempenho entre os quatro segmentos analisados no levantamento. Entre os anos de 2006 e 2010, os livros desse gênero acompanharam um movimento mais amplo da economia e representaram a única fatia do setor editorial que conseguiu exibir índices um pouco acima do PIB, nos anos de 2008 e 2010.

As obras Científicas, Técnicas e Profissionais (CTP) apareceram como o segundo melhor subsetor em termos de desempenho. O segmento apresentou um expressivo crescimento (de 20%) em 2011 e manteve-se praticamente constante, em nível mais elevado, entre os anos de 2011 e 2014. Este quadro pode ser explicado pela ampliação das vagas de nível superior no sistema educacional brasileiro – o número de estudantes universitários no Brasil mais do que dobrou entre 2001 e 2011, passando de 3 milhões para 6,5 milhões no período.

Em 2015, a crise experimentada pela economia brasileira ficou evidente nos números do setor editorial geral. O ano passado significou uma queda real de 12,63% em faturamento para o mercado livreiro, a pior de toda a série histórica.

Ao longo desses dez anos, notou-se, ainda, uma queda significativa no preço médio do livro vendido ao mercado. Comparando os valores de 2006 como os verificados em 2015, foi observada uma redução de 36% nos preços do setor como um todo. A queda de valor mais acentuada, contudo, se deu no subsetor de Obras Gerais, que teve os preços de seus exemplares reduzidos em cerca de 45%.

Confira aqui o dossiê na íntegra.

 

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