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Em quase duas décadas, mercado editorial encolhe 44%

A série histórica da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, estudo coordenado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), com apuração da Nielsen BookData, mostra que, pelo quinto ano consecutivo, o setor editorial apresenta recuo em termos reais nas vendas realizadas ao mercado. A queda de 2006 a 2024 agora chega a 44%. Se considerarmos as vendas totais, incluindo aí as transações com o governo por meio dos planos de compra de livros, a queda no período é de 30%.

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“As fortes quedas nos dois subsetores com maior valor médio, CTP e Didáticos, são forças importantes nesta queda do resultado geral. Mas os demais segmentos não ficaram imunes à queda generalizada nestes quase 20 anos da série. Isto é bastante preocupante em um país que precisaria aumentar o índice de leitura para reduzir suas desigualdades sociais através da Educação”, comentou Dante Cid, presidente do SNEL.

“Os dados refletem um alerta que o setor já vem sinalizando: a urgência de políticas públicas consistentes para o fomento à leitura, à produção editorial e à valorização do livro no Brasil. O encolhimento de quase metade do mercado em duas décadas impacta diretamente na formação de leitores, no acesso ao conhecimento e na sustentabilidade de toda a cadeia produtiva. Precisamos, mais do que nunca, de um pacto nacional em defesa do livro, da leitura e da educação de qualidade.”, destaca Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro.

“A última década foi marcada por inúmeros desafios e transformações. A série reforça a importância de analisarmos o mercado com foco em cada um dos subsetores, já que o impacto dessas turbulências variou significativamente entre eles. Didáticos passa por uma profunda transformação — algo semelhante ao que observamos em CTP, onde a estratégia voltada para o digital tem se mostrado acertada. Religiosos foi menos afetado pelas crises, mas enfrenta dificuldades para recuperar os preços, que permanecem estagnados desde 2013. Já o segmento de Obras Gerais tem obtido bons resultados, mesmo com a queda no número de exemplares vendidos, graças à recuperação dos preços, que hoje se aproximam dos níveis de 2010.”, destaca Mariana Bueno, coordenadora de pesquisas da Nielsen BookData.

As participações dos subsetores CTP (Científico, Técnico e Profissional) e Didáticos que eram de 21% e 33% em 2006, tendo o seu pico em 2012 (CTP chegou a representar 26% da categoria em vendas a mercado) e em 2016, 2017 e 2018 (quando Didáticos teve 37% de todas as vendas), agora representam 15% e 29%, respectivamente. Em 2024, Obras gerais representam 39% das vendas ao mercado (era 35% em 2006) e Religiosos tem 17% da fatia do mercado (era 11% em 2006).

A queda do subsetor de Didáticos desde 2006 é de 51% das vendas ao mercado. Pela primeira vez em 19 anos, o número de exemplares comercializados ficou abaixo dos 30 milhões. No acumulado dos últimos cinco anos, as editoras de livros didáticos registraram recuo de 25% em termos reais nas vendas realizadas ao mercado. A forte retração das editoras de Didáticos foi o principal fator para o desempenho negativo, em termos reais, da indústria em 2024. Pela primeira vez, a venda de livros ao mercado representa menos de 40% do faturamento das editoras de Didáticos.

Em 2024, o preço médio real do subsetor de Obras Gerais se aproximou dos níveis praticados no início da última década. Ainda assim, permanece 27% abaixo do valor registrado em 2006. O reajuste de preços tem sido a estratégia adotada pelas editoras para compensar as perdas acumuladas ao longo dos últimos 19 anos.

O subsetor de Religiosos registrou um recuo de 10% ao longo dos últimos 19 anos. Apesar da retração expressiva, esse desempenho representa o melhor resultado entre os subsetores. Em CTP, embora 2024 tenha registrado uma queda real de 2%, esse foi o melhor desempenho anual em termos reais da década. No acumulado desde 2006, a queda é de 61%.

Mercado Digital do Setor Editorial

A “Pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro”, outra parceria entre o SNEL e a CBL, com apuração da Nielsen BookData, apresenta a série histórica do desempenho real do mercado digital do setor.

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Na categoria À La Carte, ou seja, quando há a comercialização de uma unidade inteira de e-book ou audiobook, a evolução do faturamento das editoras apresentou um crescimento de 200% nos últimos seis anos.

Já as “Outras Categorias”, que agrupa em um único segmento do levantamento as formas de comercialização Bibliotecas Virtuais, Assinaturas, Cursos Online e Plataformas Educacionais, mostraram crescimento de 30% em 2024 em relação ao ano anterior.  Dentro deste guarda-chuva, a subcategoria de Bibliotecas Virtuais apresentou um crescimento 378% nos últimos seis anos.

O desempenho do conteúdo digital impulsionou, pela primeira vez, o crescimento real de todo o setor em 2024, isto é, descontando a inflação. Atualmente, o mercado digital atualmente representa 9% do mercado.

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