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SNEL participa de seminário de Inteligência Artificial que debate desafios e oportunidades para o mercado editorial na Biblioteca Nacional

O Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) participou do Seminário de Inteligência Artificial | Mercado Editorial e IA: desafios e oportunidades, realizado na Fundação Biblioteca Nacional, para refletir sobre os impactos da tecnologia no universo do livro, da leitura e da produção do conhecimento.

A abertura foi conduzida por Marco Lucchesi, presidente da FBN, que destacou a necessidade de compreender a inteligência artificial para além dos fetiches tecnológicos, refletindo sobre suas dimensões éticas, filosóficas e humanas. Em sua fala, ele ressaltou que a tecnologia deve permanecer a serviço da dignidade humana, da cultura e da democratização do conhecimento, citando ainda os debates contemporâneos presentes na encíclica Antiqua et Nova, do papa Leão XIV, e os desafios impostos pela aceleração tecnológica.

Dante Cid na FBN falando sobre IA

Na sequência, o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Dante Cid, participou de uma mesa mediada por Ronaldo Pelli, promovendo um amplo debate sobre os impactos da IA no ecossistema do livro.

Entre os principais pontos abordados, Dante destacou que a inteligência artificial é uma ferramenta, e não um fim em si mesma. Seu impacto dependerá da forma como é treinada e utilizada pela sociedade, podendo fortalecer ou comprometer processos culturais e educacionais.

Assista abaixo ao evento:

O avanço recente da IA decorre do aumento da capacidade computacional, e não de descobertas teóricas inéditas, explicou Dante. Conceitos como redes neurais e lógica difusa já existem há décadas, mas somente agora alcançaram escala suficiente para processar volumes massivos de dados.

Os direitos autorais constituem um dos principais desafios do momento, de acordo com o presidente do SNEL. Ele alertou para a utilização de obras protegidas no treinamento de modelos de linguagem sem o devido licenciamento, defendendo a construção de marcos regulatórios que garantam remuneração justa a autores, editoras e criadores.

A proteção da produção cultural brasileira é estratégica, segundo Dante. Permitir o uso irrestrito das obras nacionais por plataformas globais significa entregar gratuitamente um patrimônio intelectual construído coletivamente ao longo de décadas.

Na opinião de Dante, a IA transformará funções editoriais, mas não eliminará o trabalho humano. Áreas como tradução, curadoria, seleção de originais e desenvolvimento editorial poderão incorporar ferramentas inteligentes, porém continuarão dependendo da supervisão, do repertório e da sensibilidade dos profissionais do livro.

Presidente da FBN fez a abertura do evento

O crescimento dos conteúdos gerados artificialmente exige novos mecanismos de validação e confiança, defende Dante. O debate abordou a necessidade de marcas d’água digitais, critérios éticos e sistemas de identificação para diferenciar produções humanas e conteúdos produzidos por algoritmos.

Ele afirmou ainda que bibliotecários e editores se tornam ainda mais relevantes na era da superabundância informacional. Diante do aumento exponencial de dados e da disseminação de conteúdos falsos, a mediação qualificada da informação passa a ser um elemento central para a sociedade.

Na pesquisa científica, o uso da IA requer limites claros, opinou Dante. Ferramentas podem auxiliar na redação e organização do conhecimento, mas não substituem a autoria intelectual nem a responsabilidade acadêmica dos pesquisadores.

O seminário reafirmou a importância da cooperação entre bibliotecas, editoras, universidades e instituições culturais para construir modelos de inovação que conciliem desenvolvimento tecnológico, ética, preservação da memória e valorização da criação intelectual. Como destacou Dante Cid, o desafio não está em resistir às transformações, mas em garantir que elas aconteçam de forma justa, democrática e sustentável para todo o ecossistema do livro.

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