Morreu nesta terça-feira (22) o jornalista e escritor Zuenir Ventura, aos 95 anos. Tentar elencar todas as qualidades desse ícone das letras seria difícil. Foram anos de reportagens importantes que se tornaram livros que explicaram um pouco mais o Brasil para os brasileiros. Obras como 1968 o ano que não terminou, Cidade partida e Chico Mendes: crime e castigo que são incontornáveis para tentar entender um pouco mais esse país de tantos contrastes.
Sabendo da sua envergadura, o SNEL homenageou em vida o mestre Zu, como ele era carinhosamente chamado. Em 2021, enquanto as medidas sanitárias para conter o Covid começavam a abrandar, a Bienal do Livro do Rio, que é organizada pelo SNEL em parceria com a GL Events, decidiu quebrar um protocolo e entregar um prêmio para um escritor vivo. O escolhido, para representar todos os autores, foi Zuenir Ventura.
Veja a entrega abaixo no registro da escritora Bianca Ramoneda, que estava dirigindo a abertura da Bienal.
Como foi escrito à época, “além da riqueza de sua obra, Zuenir foi escolhido para essa homenagem por ter marcado presença em toda a história do festival”. Zuenir também tinha uma história com a Bienal, uma história que sempre ia se renovando, a cada edição. Zuenir recebeu o seu prêmio das mãos do então presidente do SNEL, Marcos da Veiga Pereira, ao lado da ministra do STF Cármen Lúcia, que levou para casa o Prêmio José Olympio.
Ao receber o prêmio, Zuenir disse: “Esse é o melhor presente que eu poderia receber no ano em que faço 90 anos. Antigamente eu dizia minha idade e sempre alguém falava ‘mas não parece’! Hoje parece! E eu estou muito emocionado. O fato de eu receber essa homenagem junto com a Carmen Lúcia, eu sou devoto da Carmen Lúcia, no meu altar de admirações ela ocupa um lugar lá em cima. Eu gostaria de agradecer a todos que tiveram a ideia dessa homenagem e que me deram esse presente. Eu devia ter trazido o meu médico do coração pra me garantir”.