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Morre Regina Bilac Pinto, a primeira presidente mulher do SNEL

Morreu nesta quarta (7) a primeira presidente mulher do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Regina Bilac Pinto. Bilac Pinto teve à frente do SNEL por dois mandato, de 1981 a 1984 e 1990 a 1993. Na primeira oportunidade, ela lançou a Feira Internacional do Livro do Rio de Janeiro que, anos depois, passaria a se chamar Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, se tornando um dos principais eventos literários do país.

Sua vida no mundo dos livros começou ainda na década de 1960 quando foi chamada pelo pai, Olavo Bilac Pereira Pinto, para trabalhar na nova editora da família, a Fundo de Cultura, junto com a irmã Beatriz. Conviveu com grandes autores jurídicos, que frequentavam a Editora Forense, onde logo começaria a trabalhar. Na década de 1990, se formou em Direito e se tornou Juiza do Tribunal do Trabalho, seguindo os passos do pai, que foi deputado federal pela União Democrática Nacional (UDN), além de embaixador na França (1966/1970) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao assumir a presidência do SNEL, ela quebrou paradigmas. O mercado editorial brasileiro se caracterizava, até então, por ser predominantemente masculino. Ela conta que a ideia de alçá-la presidente do SNEL partiu de Alfredo Machado, que mobilizou vários editores em torno da causa.

“Era o período do governo militar. Livros tinham sido recolhidos. Acharam que como meu pai era um democrata, anticomunista, eu teria acesso político mais fácil”, contou em entrevista. “Quando meu pai soube da minha eleição, ele ficou indignado comigo. Fui a primeira mulher a presidir um sindicato, no Brasil. Foi uma ousadia”.

Além do clima político do país, Regina Bilac Pinto teve outros desafios a encarar como presidente do SNEL. Ela se recorda que havia uma série de interferências do Estado no setor, a ponto de a Universidade de Brasília competir com editoras privadas, inclusive na disputa de compra de títulos na Feira de Frankfurt.

Problemas antigos como o preço do papel “que estava elevadíssimo” e a atuação no país de editoras estrangeiras continuavam a incomodar. Para completar o quadro, um novo “inimigo” tornava-se cada vez mais forte: a profusão da prática da reprografia nas universidades. Sobre essa questão, Regina Bilac Pinto relembra uma situação curiosa.

Logo após assumir a presidência do SNEL, ela começou a cursar Direito. Qual não foi sua surpresa quando, no primeiro dia de aula, ouviu de um professor a recomendação para que os alunos usassem cópias de trechos de livros que estavam à disposição na própria universidade.

“Quando a aula terminou, me apresentei como presidente do Sindicato e pedi que o professor se retratasse na próxima aula ou seria obrigada a entrar com uma ação contra a universidade”, conta.

Mas o que para Regina Bilac Pinto ficou marcado como sua grande vitória à frente do SNEL foi a criação da Feira Internacional do Livro do Rio de Janeiro, futuramente chamada de Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Em uma área de 1.400 metros quadrados, no Copacabana Palace, a Feira contou com a presença do governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, na cerimônia de abertura.

“A Feira ficou muito charmosa, fez muito sucesso, rendeu muita mídia para o Sindicato”, comentou. Houve um acordo com a CBL – que já promovia a Bienal do Livro, em São Paulo – que vale até hoje: realizar a festa literária carioca nos anos ímpares, enquanto a paulista fica para os anos pares.

Segundo ela, a Feira acabou por provocar uma grande transformação no Sindicato. Além de oxigenar o caixa da instituição, passou a atrair mais associados. Anos depois, a morte de Alfredo Machado levaria Regina Bilac Pinto outra vez à presidência do SNEL. Inicialmente, ela assumiu o cargo por ser a vice-presidente do Sindicato, durante a gestão interrompida do amigo e mentor. Em seguida, foi eleita e mantida na presidência para mais um mandato.

Nessa segunda fase, a sua atuação teve como alvos principais a consolidação da Bienal; um trabalho em prol da difusão das feiras de livros e ainda o combate à reprografia ilegal.

O velório será a partir das 14h30, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O sepultamento está marcado para as 16h30.

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