A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) realizaram, nesta quinta-feira (20), no Auditório Machado de Assis, no Rio de Janeiro, a mesa “Projetos que incentivam o livro e a leitura no Brasil”. O encontro reuniu Martha Ribas, editora e conselheira da Bienal do Livro Rio, e Raquel Menezes, editora e diretora do SNEL, com mediação de Ronaldo Pelli, para uma conversa sobre iniciativas capazes de aproximar livros, leitores e comunidades.

A mesa integra uma parceria entre as duas instituições para ampliar o debate sobre formação de leitores, mediação de leitura e democratização do acesso ao livro, dando visibilidade também a experiências desenvolvidas em diferentes regiões e contextos do país. Essa é o primeiro debate do gênero, que deve se repetir ainda em setembro, outubro e novembro deste ano.
Na abertura, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, destacou, em mensagem gravada, a importância da cooperação com o SNEL e lembrou que fazer o livro chegar às pessoas é apenas uma parte do desafio. Para ele, é necessário criar condições para que esses livros sejam efetivamente lidos, mediados e incorporados à vida das comunidades. Lucchesi ressaltou ainda iniciativas que alcançam públicos diversos, como comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, escolas, hospitais e unidades prisionais.
Um dos projetos apresentados durante o encontro foi o Incentivadores do Livro e da Leitura, iniciativa do SNEL criada para identificar, reconhecer e dar visibilidade a pessoas, organizações e projetos que contribuem para a formação de leitores no Brasil.
Raquel Menezes explicou que a iniciativa surgiu também como uma resposta aos resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que apontou, pela primeira vez na série histórica, uma proporção de não leitores superior à de leitores no país. Em vez de olhar apenas para o cenário preocupante, a proposta foi buscar e valorizar experiências que mostram caminhos possíveis para transformá-lo.

“O amor aos livros está em todos os lugares e em projetos de todos os tamanhos”, destacou Raquel, lembrando que as iniciativas de incentivo podem nascer tanto de grandes organizações quanto de ações comunitárias, clubes de leitura e pequenos projetos locais.
Para Martha Ribas, reconhecer essas experiências significa, sobretudo, reconhecer as pessoas que diariamente trabalham para formar leitores. Ela ressaltou a importância de criar uma verdadeira rede de incentivadores da leitura, capaz de conectar iniciativas muitas vezes desenvolvidas de maneira isolada em diferentes territórios brasileiros.
A conversa também trouxe uma provocação: o livro não precisa estar restrito aos espaços tradicionalmente associados à leitura. Pode estar na escola e na biblioteca, mas também na praia, no bar, nas redes sociais, em festas, museus, eventos culturais e tantos outros ambientes do cotidiano.

Nesse contexto, Martha apresentou experiências da Bienal do Livro Rio, que vem ampliando sua atuação para além dos dias do evento. Entre elas está o projeto Bienal nas Escolas, que leva autores e livros para estudantes da rede pública e busca manter mais permanente a relação entre a Bienal, os jovens e a leitura.
A experiência das livrarias também entrou no debate. Martha destacou a importância de ocupar territórios e alcançar pessoas que tradicionalmente não frequentam esses espaços. Para ela, é necessário “estourar as bolhas” e levar o livro justamente para onde ele ainda não está presente.
Outro ponto destacado foi o caráter coletivo da leitura. Embora muitas vezes associada a uma experiência individual, a leitura também produz encontros: entre leitor e autor, entre leitores e personagens e entre pessoas que passam a compartilhar histórias, experiências e afetos. Clubes de leitura, comunidades digitais e encontros literários são exemplos dessa capacidade de criar vínculos.

Ao longo da conversa, as participantes defenderam que ampliar o número de leitores no Brasil passa por uma combinação de esforços: políticas públicas, escolas, bibliotecas, livrarias, editoras, grandes eventos, iniciativas comunitárias e ações individuais.
A mesa inaugurou uma série de encontros promovidos pela parceria entre o SNEL e a Fundação Biblioteca Nacional. Novos debates estão previstos para os próximos meses, aprofundando a discussão sobre experiências, práticas e caminhos para fortalecer o livro e a leitura no Brasil.
Mais do que identificar os desafios apontados pelas pesquisas, a proposta é olhar para quem já está transformando essa realidade e fazer com que essas experiências circulem, inspirem novas iniciativas e ajudem a construir um país com mais leitores.