Notícias

Categorias:

Bienal do Livro Rio: o futuro que a gente espera

Em artigo para o PublishNews, o presidente do SNEL defende a retomada da Bienal do Livro Rio em 2021: ‘Não é só pela Bienal. É pela causa. Pela cultura, pelo conhecimento, por tudo que a Bienal representa.’; leia a íntegra

Abraçar o planejamento de um evento com o porte e a história da Bienal do Livro Rio – que este ano chega à sua 20ª edição – é necessariamente uma decisão tomada a partir de uma projeção de futuro, quaisquer que sejam as circunstâncias. Neste momento global em que as incertezas são imperativas, o anúncio de um festival presencial só pode partir da premissa de que as coisas vão melhorar até lá. E foi o que levamos em consideração na escolha da data de 03 a 12 de dezembro de 2021: não uma expectativa excessivamente otimista, mas o avanço da imunização que está em curso na cidade-sede.

As pistas relevantes que temos: uma campanha de vacinação que caminha acelerada no Rio de Janeiro, com estimativa de que ampla maioria das pessoas de até 12 anos tenha recebido pelo menos a primeira dose da vacina em meados de setembro e a segunda até a época da Bienal. O recorte local num primeiro momento nos parece satisfatório, uma vez que cariocas são o público frequentador majoritário do evento, sobretudo numa edição que será híbrida, com transmissão online das mesas e atrações em tempo real.

Da parte da organização, um cenário favorável com riscos minimizados é condição imprescindível para que a Bienal aconteça. Somado a isso, medidas prioritárias que estão no campo do nosso dever e compromisso – adotadas em grandes eventos no Brasil e no mundo –, como a exigência do comprovante de vacinação completa do visitante, o acompanhamento de consultoria especializada em saúde, diretrizes de distanciamento e controle de fluxo de circulação, além de uma equipe de fiscalização específica para os protocolos de segurança, como o uso obrigatório da máscara (o que é rotina em shoppings e no comércio em geral, que já normalizaram o seu funcionamento).

Estamos estipulando uma visitação de 300 mil pessoas, metade do público convencional da Bienal, e uma duração de dez dias de evento, que serão divididos entre manhã e tarde, para que o total de visitantes em qualquer turno não ultrapasse os 25 mil. O mesmo cuidado haverá com a presença dos autores nacionais e internacionais, que participarão da programação local e remotamente.

Há um ano e meio, não só o setor de eventos como o mercado editorial e livreiro prepara e aguarda uma retomada. Quando ela deve acontecer? Resolvemos acreditar que será possível dar o primeiro passo, desempenhando escuta ativa, e atentos a impressões e críticas. Uma tomada de decisão delicada, mas não irresponsável e audaciosa, que consultou editores, livreiros, secretarias de educação e órgãos competentes da prefeitura.

E por que não simplesmente adiar? Pela importância que o evento tem não só para a cidade, mas também para a literatura e a cultura no país, especialmente nestes tempos. A Bienal é a grande festa do livro. Passamos os últimos seis anos atravessando uma sequência de notícias negativas para o setor. Mas, nos últimos seis meses, e os números confirmam, temos presenciado a reconexão das pessoas com os livros – o que só reforça a missão e a razão de ser do evento: o incentivo à leitura no Brasil. Por isso, é muito marcante que esse seja um dos primeiros eventos culturais naquilo que esperamos ser uma fase de transição gradativa para dias melhores. Não é só pela Bienal. É pela causa. Pela cultura, pelo conhecimento, por tudo que a Bienal representa.

É importante notar que há uma grande dificuldade de encontrar um parâmetro ou modelo, na busca por referências sobre o que acontece em outros lugares do mundo, a fim de estudar novos formatos para o evento, entender a mistura ideal entre o físico e o digital, verificar a aplicabilidade e eficácia dos protocolos de segurança. Fato que só reforça a importância e a potência da Bienal no seu papel inspiracional, desbravador e gerador de tendências. A Bienal de 2021, com o marco das 20 edições, acontecerá sob estado de atenção ainda causado pela pandemia, mas abre perspectivas para a gestação de avanços significativos e de muitas novas histórias rumo ao futuro e a uma sempre renovada paixão pelo livro.

Desejamos que a Bienal continue representando a materialização dos bons encontros que as histórias proporcionam. Neste caso, um (re)encontro muito sonhado: com os livros, com autores, com outros leitores, com personalidades todos os que tornam esse universo uma das partes mais auspiciosas da realidade atual. Para as editoras, o evento sempre trouxe uma exposição extraordinária para as obras e uma troca direta com o público, que é um dos grandes diferenciais para quem trabalha com livros e por eles. A nossa expectativa é de que o retorno dessa visibilidade e do aquecimento das vendas que acontece de forma singular durante a Bienal possa marcar um novo capítulo para o mercado editorial e o reconhecimento dos nossos esforços pessoais e profissionais para atravessarmos esse período.

Marcos da Veiga Pereira
Presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL)

Últimas Notícias
Venha conferir os resultados da 19ª pesquisa de RH do SNEL
19ª Pesquisa de RH ao vivo na sede do SNEL
Relatório mostra que CTP é setor mais pirateado
Documentário relata disparidade no acesso à leitura no Rio de Janeiro
Penúltimo período de pesquisa mostra que setor mantém crescimento
SNEL patrocina prêmio Melhores Empresas para Trabalhar
Recesso de fim de ano
SNEL participa de distribuição de livros no Rio