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Encontro com RHs no SNEL promove os Incentivadores do Livro e da Leitura

Flávio Moura, diretor do SNEL

O Sindicato Nacional dos Editores de Livros recebeu nesta quarta-feira (24) funcionários de RH de empresas e instituições para mostrar como o hábito da leitura pode influenciar positivamente o ambiente das organizações. Na oportunidade, também foi apresentado o título Incentivadores do Livro e da Leitura, desenvolvido pelo SNEL, que premia personalidades, instituições, professores, bibliotecários, além de figuras políticas que atuam como multiplicadores do hábito de ler.

“Após o resultado da última pesquisa Retratos da Leitura, que mostrou que pela primeira vez temos mais não-leitores que leitores no Brasil, nós da diretoria do SNEL decidimos que deveríamos criar um grupo de trabalho para tentar solucionar esse problema”, explicou Flávio Moura, diretor do SNEL. Ele ressaltou em sua fala que a iniciativa começou no início desse ano e já está conseguiu promover debates e criar uma movimentação em prol dessas iniciativas pioneiras.

O evento contou com a parceria do GPTW (Great Places To Work), certificação que apoia organizações a obterem melhores resultados por meio de uma cultura de confiança, alto desempenho e inovação. “Livros podiam desencadear impactos significativos dentro das empresas”, ressaltou Larissa Caldin, CEO e Publisher na Great People Books, braço editorial da GPTW. Ela, que organiza workshops e clubes do livro em organizações, afirmou que já tem dados sobre como livros podem ser agentes de transformação tanto na sociedade como dentro das empresas. “Em nossas pesquisas após os clubes do livro, percebemos que em 48% dos casos aquele é o primeiro livro que a pessoa lê depois da escola”, contou. Para ela, o hábito de ler desenvolve os colaboradores das organizações. “A leitura cria times mais engajados e criativos.”

Leitura como influência positiva

No encontro, houve uma conversa entre o médico neurologista e escritor Leandro Teles e a escritora Clara Alves, mediada por Raquel Menezes, diretora do SNEL.

Leandro contou que, na juventude, ficou acamado por dois anos e os livros o ajudaram a passar esse tempo. “Quando consegui sair, tinha mais vocabulário, mais empatia, tive mais ferramentas afetivas”, contou. Para ele o cérebro criou um método de letras, alfabeto e linguagem com a leitura. Quando lemos, o cérebro ocupa o centro da nossa consciência, fazendo com que não consigamos fazer duas atividades ao mesmo tempo. Por isso que a leitura não é uma atividade passiva. “O leitor dá o ritmo, a prosódia. A leitura é monotarefa”, explicou ele.

Por isso, a leitura traz benefícios para a saúde mental dos leitores. “Ajuda a dormir melhor, a ser menos ansioso. Não deixa a gente ser sequestrado pela dopamina das recompensas fáceis. Se o mundo sequestra atenção, o livro traz tempo e paz. Ele faz outro tipo de sequestro: da forma de pensar do algoritmo”, opinou, argumentando que teremos que reensinar aquela maioria de brasileiros que se dizem não-leitores a ler. “É muito difícil perder com o livro. Ele diminui a futilidade do mundo. Ele devolve um pouco a nossa humanidade.”

Leandro Teles, Clara Alves e Raquel Menezes (esq. p/ dir.)

A escritora Clara Alves, autora do best-seller Conectadas, entre outras obras, contou como a literatura também foi importante para ela na sua adolescência. Foi com a literatura que ela reconheceu que os problemas que ela estava enfrentando também era dos personagens das obras que lia. “Aos 7, 8 anos, eu li ‘Harry Potter’ e pensei: eu também posso fazer isso? Eu quero fazer isso!”, contou.

Quando começou a escrever, Clara desenvolveu tramas em que podia, ao menos na teoria, superar os problemas que não tinha ainda superado na vida real.  “A história de Conectadas chegou a um tamanho que eu não imaginava. São quase 150 mil livros vendidos, hoje em dia.

“Quando comecei a ir para eventos, como a Bienal do Rio 2021, comecei a escutar que o meu livro tinha salvado a vida das pessoas, que ele tinha ajudado às pessoas a se assumirem LGBT. Os livros funcionam para demonstrar que as pessoas não estão sozinhas”, contou ela reforçando esse aspecto coletivo de uma prática comumente associada à solidão. “A leitura é você com você mesmo. Mas quando eu acabo de ler um livro, eu quero logo mostrar para as pessoas, vou para as redes sociais e, em seguida, recebo respostas, e, assim, se cria uma comunidade.”

A diretora do SNEL Raquel Menezes, que mediava a mesa, aproveitou a oportunidade para lembrar como os livros podem funcionar como uma espécie de amigos para os leitores, criando uma rede entre leitores que poderiam se sentir isolados.

O neurologista Leandro Teles concordou. “A leitura atua no desenvolvimento de empatia e no senso de familiaridade. É importante também para mostrar pessoas que não são muito representadas. O livro represente as minorias, as individualidades, das esquisitices.”

Livro como práticas sociais e de imaginação

A segunda mesa reuniu duas personagens que a mediadora, Martha Ribas, consultora do SNEL, definiu como “dois faróis que trabalham diuturnamente e pela madrugada adentro pelo livro”: a professora Verônica Marcílio, uma das primeiras agraciadas com o título de Incentivador do Livro e da Leitura, do SNEL, e a atriz, jornalista e escritora Bianca Ramoneda.

Bianca Ramoneda, Verônica Marcílio e Martha Ribas (esq. p/ dir.)

Atuando na rede municipal do Rio, Verônica Marcílio contou a história da criação do seu Favelivro, que já criou 55 bibliotecas em comunidades do Rio e Grande Rio. “Sempre trabalhei com livros, mas, para atrair os alunos, tentava trazer um colorido a mais. Comecei a contar histórias na sala de aula e, em pouco tempo, depois da propaganda boca-a-boca, e estava contando história no Rio inteiro. Foi em uma ida à Barreira do Vasco (comunidade na Zona Norte do Rio de Janeiro) para contar histórias que tudo começou”, contou, lembrando que as bibliotecas podem ser criadas em qualquer espaço físico com alguma estrutura básica.

Hoje em dia, o esquema funciona da seguinte maneira: a pessoa interessada em montar uma biblioteca precisa ter o espaço e entrar em contato com Verônica. Ela pede uma lista de nomes para ser o patrono da biblioteca e liga para essa pessoa. Foi assim que Bianca Ramoneda entrou em sua vida. Ela foi escolhida para ser responsável por uma biblioteca.

A atriz, jornalista e escritora contou também da sua trajetória, dos palcos para a televisão, para as oficinas, voltando para os palcos, após um encontro com o poeta Manoel de Barros – ela ficou 20 anos com uma peça sobre o poeta do Pantanal.

Camila Del Nero faz parte da Assessoria de Comunicação do SNEL e apresentou os projetos da empresa para o público presente no evento

“A literatura cria um mundo de encantamento, reordenando a linguagem e, assim, reordenando o mundo. Reorganizando a sintaxe para que possamos fruir o tempo de outra maneira”, contou. “A linguagem não é só funcional, é ferramenta para o encantamento. Nesse mundo produtivista, de excessos, a literatura produz um mundo de encantamento”.

Organizadora de clubes do livro, curadora de eventos literários, como a Bienal do Livro – junto com Clara Alves, aliás – Bianca é partidária da literatura para criar grupos de afinidade mesmo entre áreas que não são iguais, como em reuniões de conversas literárias. “É a única forma de envelhecer sem estar sozinho, criando grupos de afinidade”, argumentou.

“Como Wally Salomão dizia, são como pontos de shiatsu”, brincou a mediadora Martha Ribas.

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