Diretora do SNEL, Cristiane de Mutüs participou do painel “O papel das entidades nos programas de livros”, que discutiu compras públicas, formação de leitores, direitos autorais e os desafios para fortalecer o ecossistema do livro no Brasil.

A importância da atuação conjunta das entidades representativas do setor editorial para ampliar o acesso ao livro e fortalecer as políticas públicas de leitura esteve no centro do painel “O papel das entidades nos programas de livros”.
Participaram da conversa Cristiane de Mutüs, diretora do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL); Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL); José Ângelo Xavier, presidente do Instituto Pró-Livro e da Abrelivros; e Lizandra Magon, presidente da Liga Brasileira de Editoras (Libre). A mediação foi de Hubert Alquéres.
Ao longo do debate, os participantes discutiram um desafio que acompanha toda a cadeia do livro: não basta garantir que as obras sejam adquiridas e distribuídas. É preciso criar condições para que elas efetivamente cheguem às mãos dos leitores, sejam utilizadas nas escolas e contribuam para a formação de novos leitores.
Cristiane destacou que esse objetivo depende de um ecossistema editorial saudável e de uma atuação articulada entre editoras, autores, livrarias, distribuidores, gráficas, profissionais do livro, entidades representativas e poder público.
“O que nos une é essa consciência de que juntos somos realmente mais fortes. Precisamos entender as necessidades e dificuldades de cada parte do mercado e trabalhar para que essa roda gire de forma saudável para todos”, afirmou.

A diretora do SNEL também chamou atenção para a importância da previsibilidade dos programas e calendários de compras públicas, lembrando que a produção e distribuição de livros envolve uma ampla cadeia, que começa no planejamento editorial e passa pelas indústrias de papel e gráfica até chegar à logística e às escolas.
Outro ponto defendido por Cristiane foi a necessidade de ampliar a atuação conjunta das entidades também nas esferas estaduais e municipais, contribuindo para a construção de programas de aquisição de livros estruturados, transparentes e permanentes, além do acompanhamento das políticas desenvolvidas em âmbito federal.
A participação das entidades no evento promovido pela Câmara Brasileira do Livro, as vésperas da Bienal do Livro de São Paulo, também foi lembrada durante a mesa. Cristiane citou o trabalho permanente de diálogo com o Congresso Nacional e o poder público em pautas estratégicas para o setor, como políticas para o livro, direitos autorais e condições que permitam a sustentabilidade das empresas e dos profissionais que integram a cadeia editorial.
Para a diretora do SNEL, o fortalecimento do setor deve ter como finalidade maior ampliar o acesso à leitura.
“Temos muito trabalho a fazer, todas as entidades juntas. O SNEL conta com todas elas para que possamos construir programas de livros exemplares nas esferas federal, estadual e municipal. O livro liberta”, concluiu.
O debate ainda abordou temas como formação de professores e mediadores de leitura, diversidade editorial, internacionalização da literatura brasileira, profissionalização do mercado, inteligência artificial e proteção dos direitos autorais, reforçando o papel das entidades na construção de um ambiente mais equilibrado, diverso e sustentável para o livro no Brasil.