O mercado editorial brasileiro ganhou, nesta quinta-feira (5 de novembro), um novo instrumento para compreender o universo dos influenciadores literários. A Estante Virtual, com apoio do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), produziu o Mapeamento dos Criadores de Conteúdo Literário 2026, pesquisa organizada por Gabriel Mattos e Bruna Paiva, que contou também com a parceria da Câmara Brasileira do Livro (CBL), do PublishNews e da Publitik.

O estudo foi apresentado durante um encontro realizado no Teatro YouTube, na Galeria Magalu, localizada no Conjunto Nacional, em São Paulo, reunindo representantes do mercado editorial para discutir o perfil, os hábitos de produção, as oportunidades e os desafios de quem cria conteúdo sobre livros, leitura e literatura nas plataformas digitais.
Com 543 respostas coletadas por meio de formulário on-line, o levantamento busca preencher uma lacuna de informações sobre os criadores de conteúdo literário, que vêm conquistando espaço na formação de leitores, na descoberta de autores e na promoção de livros.
Um mercado em expansão e cada vez mais profissionalizado
Um dos resultados mais expressivos revela a chegada de novos criadores ao universo literário. Segundo a pesquisa, 48,2% dos participantes produzem conteúdo há menos de dois anos, sendo 27,2% há menos de um ano e 21% entre um e dois anos.
O levantamento também evidencia o protagonismo feminino nesse segmento: aproximadamente 82% dos respondentes são mulheres. Cerca de 73% se declararam brancos e mais de 70% possuem formação superior ou pós-graduação.
Durante a apresentação, Gabriel Mattos e Bruna Paiva destacaram que a criação de conteúdo literário deixou de ser vista apenas como atividade de lazer e passou a representar uma possibilidade de carreira para muitos leitores.
O estudo mostra ainda que quase 70% dos participantes possuem até 10 mil seguidores, indicando a presença expressiva de criadores com comunidades menores, mas com potencial de proximidade e engajamento com seus públicos.
Instagram lidera, mas produção exige dedicação constante
Apesar da popularização do BookTok, o Instagram permanece como principal plataforma de atuação dos criadores literários, citado por 63% dos participantes. O TikTok aparece em segundo lugar, com 27,3%, seguido pelo YouTube, com 5,2%.
A frequência de publicação é outro dado relevante: 86,7% produzem conteúdo pelo menos uma vez por semana. Desse total, 41,6% publicam mais de uma vez por semana, 33,3% diariamente e 11,8% uma vez por semana.
Os pesquisadores chamaram atenção para o trabalho envolvido na manutenção dessa presença digital, que inclui leitura, pesquisa, elaboração de roteiros, gravação, edição e relacionamento com seguidores.
Monetização ainda é o principal desafio
Embora a criação de conteúdo literário esteja se profissionalizando, transformar essa atividade em fonte de renda continua sendo um obstáculo significativo.
A pesquisa mostra que 58,9% dos participantes ainda não monetizam seu conteúdo, enquanto 5,9% não pretendem fazê-lo. Outros 30,2% obtêm renda complementar e apenas 5% têm a atividade como principal fonte de rendimento.
Entre aqueles que detalharam suas formas de monetização, a publicidade paga e os conteúdos patrocinados, conhecidos como publis, lideram com 65,3%. Os programas de afiliados, como os de plataformas de comércio eletrônico, aparecem com 52,6%, enquanto a monetização oferecida pelas próprias redes sociais representa 32,6%.
Os respondentes que informaram seus canais de remuneração utilizam, em média, 2,1 modalidades para gerar receita.
A pesquisa também aponta a importância da diversificação das fontes de renda, incluindo programas de afiliados, venda de produtos, assinaturas, cursos e prestação de serviços relacionados ao universo editorial.
Novas oportunidades para o mercado editorial
Durante o encontro, os pesquisadores destacaram que o crescimento dos criadores de conteúdo literário abre oportunidades de aproximação entre editoras, autores, plataformas digitais e marcas de outros setores.
A presença de comunidades engajadas em torno dos livros, especialmente entre os públicos mais jovens, amplia as possibilidades de divulgação de obras, construção de relacionamentos com leitores e desenvolvimento de novas estratégias comerciais.
Outro ponto discutido foi a diversidade dos conteúdos produzidos. Romance, fantasia, literatura brasileira, romantasia e suspense aparecem entre os gêneros abordados pelos participantes. A pesquisa identificou ainda a presença de nichos como a ficção cristã, que poderão ser aprofundados em futuras edições.
Pesquisa terá novos desdobramentos
A primeira edição do mapeamento utilizou uma metodologia de divulgação do questionário por redes de contato, conhecida como snowball. Os pesquisadores reconheceram a necessidade de ampliar a participação de criadores de diferentes regiões e perfis nas próximas edições, de modo a alcançar maior diversidade de experiências.
A intenção é dar continuidade ao levantamento, aperfeiçoando as perguntas e ampliando a abrangência geográfica. Por se tratar de uma amostra não probabilística, os resultados permitem identificar tendências entre os respondentes, sem representar estatisticamente todos os criadores literários brasileiros.
Ao apoiar a pesquisa produzida pela Estante Virtual, o SNEL reforça seu compromisso com a produção de conhecimento sobre o setor editorial e com o fortalecimento de iniciativas que aproximem os livros de seus leitores.
O estudo contribui para ampliar a compreensão das transformações no mercado do livro e das oportunidades de conexão entre editoras e novas comunidades leitoras.
Os resultados completos e as informações metodológicas do Mapeamento dos Criadores de Conteúdo Literário 2026 estão disponíveis nos canais do projeto A Ponte.