O SNEL participou do Encontro do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, organizado pela Secretaria do Estado de Cultura e Economia Criativa, do Rio de Janeiro. O evento aconteceu na Biblioteca Parque, no Centro do Rio, uma das mais importantes da cidade, com as presenças do presidente do SNEL, Dante Cid, e das bibliotecárias do sindicato, Gabriela Faray e Carla Gonçalves.

O presidente do SNEL fez uma fala sobre Inteligência Artificial e seus impactos na indústria criativa, principalmente no setor editorial. Ele lembrou que a IA já existe há décadas, mas só em 2022, com o avanço da tecnologia, é que ela se transformou em mecanismo que gera informações.
“As IAs apenas aprendem padrões a partir dos insumos”, explicou. “Elas passam a impressão de ser uma novidade, porque juntam informações bem diferentes e aparece para a gente como uma combinação nova.”
As Inteligências Artificiais são tanto consumidoras de informações como produtoras, explicou Dante Cid, lembrando que o problema atualmente das IAs é capturar informações, dados e conteúdo sem qualquer tipo de compensação financeira com os autores.
“A grande maioria das plataformas de IA generativa usou material sem pagar direito autoral. E informação de qualidade não cai do céu”, comentou Dante, lembrando que o a associação francesa análoga ao SNEL está processando o ChatGPT por usar livros sem autorização. “Se continuarmos assim, estamos entregando a cultura brasileira de bandeja para empresas norte-americanas,”
Outra questão é quando a IA não fornece uma informação confiável, no seu output, no seu resultado. Tais ferramentas não foram treinadas para dar respostas evasivas ou dizerem que não sabem o que o usuário lhe pergunta.

Também há falta de transparência que base de dados foi usada. Para resolver isso, Dante lembra que, na Califórnia, EUA, é obrigatório o uso de uma espécie de marca d’água em obras geradas pela IA.
Por fim, Dante listou alguns pontos que serão afetados com o fortalecimento da IA no mercado editorial:
Mudanças funções de editores e revisores; Necessidade de novas competências digitais; Colaboração humano – IA; Tradução, ilustração e revisão, com necessidade de supervisão humana; Análise avançada de tendências de leitura; Recomendação inteligente.
Dados bibliográficos
Antes do presidente, as bibliotecárias Gabriela Faray e Carla Gonçalves palestraram para um auditório cheio de estudantes de biblioteconomia que queriam aprender como era o cotidiano das duas no SNEL.

“A gente debate muito todos os dias quando chega um livro de uma área mais incomum”, contou Carla, lembrando do coração do trabalho: “Transformar um assunto em classificação é muito desafiador”.
As duas bibliotecárias contaram como se faz uma ficha catalográfica, mostrando as bases internacionais utilizadas e explicando os critérios para se usar os códigos.
“Ficha catalográfica é um trabalho que facilita a vida até do leitor”, comentou Gabriela, reforçando como a organização dos livros por assuntos faz com que as pessoas possam se organizar melhor na hora de escolher uma obra para ler. “Estamos na mediação entre o leitor e as editoras.”
Isso porque elas precisam reunir o máximo de informações pertinentes para organizar o livro para facilitar a chegada da obra ao leitor. “Tem profissão que trabalha com mais assuntos?”, brincou Carla.