A Bienal nas Escolas chegou, nesta semana, em escolas públicas estaduais no Méier, tradicional bairro da Zona Norte carioca. O projeto, como acontece sempre, levou escritores famosos, conversas de alto nível, diversão e muitos livros para estudantes que normalmente não teriam acesso a esse tipo de material, não dessa forma.
É um projeto que tenta expandir a já bastante tradicional Bienal do Livro do Rio, evento que é um dos marcos culturais da cidade. Se a nossa Bienal, organizada desde o início pelo SNEL em parceria com a GL Events, leva a cada dois anos centenas de milhares de pessoas para o Riocentro, na Zona Oeste carioca, transformando o espaço em uma área em que as histórias extrapolam as páginas dos livros, a Bienal nas Escolas é a sua versão em miniatura. E para quem mais precisa: os estudantes.
Em um espaço onde se reúnem os alunos das escolas, é montado um palco onde há jogos envolvendo figuras literárias e depois sempre os escritores respondem às perguntas da plateia, sempre exigente.
No dia 4, a Bienal nas Escolas esteve no Colégio Esteban Olinto G. Botelho com o autor Jesse Andarilho como convidado para contar sua história e sobre seus livros, como Fiel. Andarilho contou a sua história, de morador da periferia do Rio, para chegar a ser um autor reconhecido, para o encanto dos alunos presentes.
Dois dias depois, foi a vez dos estudantes do Ensino Médio do CE Hispano Brasileiro João Cabral de Melo Neto, participaram do encontro com os escritores proporcionado pela Bienal. E no caso, não foi apenas um, mas dois, e dois de grande renome também: os premiados Eliana Alves Cruz e Estevão Ribeiro.
Durante o encontro, que se tornou rapidamente íntimo, com os dois escritores admitindo que são um casal, e narrando como se encontraram no mundo das letras, Eliana lembrou também da sua trajetória de vida. Ex-moradora da Zona Oeste, ela se viu alçada socialmente quando o pai passou em um concurso público, e a família se mudou para a Tijuca, um dos bairros mais valorizados da Zona Norte do Rio. “Eu era a única negra na minha área”, contou.
Os alunos pareciam se identificar com as histórias de Eliane e Estevão. Seus relatos emocionaram os alunos e reforçou a importância de acreditar na própria voz, persistir diante dos desafios e reconhecer a literatura como espaço de expressão, pertencimento e transformação. Foram perguntados sobre quais livros deles próprios indicariam.
“Tenho duas vertentes nas minhas obras, uma mais histórica e outro mais contemporânea”, contou Eliana. Do primeiro time, indicou o já clássico Crime do cais do Valongo, enquanto do segundo, falou de Meridiana, que recebeu prêmio recentemente o Prêmio Guimarães Rosa de Ficção de 2025, concedido pela Academia Brasileira de Letras (ABL).
Já Estevão mencionou seu quadrinho Rê Tinta, uma espécie de Mafalda brasileira, como explicou, e o livro Salve Rainha, que aborda assuntos como racismo, mas de forma bem humorada e usando de realismo fantástico
A Bienal nas Escolas segue aproximando escritores e estudantes, criando experiências que despertam novos leitores e mostram que toda história merece ser contada.