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Confira a entrevista de Dante José Alexandre Cid ao Jornal O Globo

Nesta quinta-feira (02), o Segundo Caderno, do Jornal O Globo, publicou uma entrevista com o novo presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Dante Cid, que tomará posse no dia 01/01/2022, como sucessor de Marcos da Veiga Pereira, que se despede do cargo após sete anos à frente da entidade.

Confira o papo na íntegra:

‘Com lei do preço fixo, livro pode ficar mais barato’, diz novo presidente do sindicato dos editores

Dante José Alexandre Cid promete aumentar a interlocução com os livreiros e promover a integração internacional do setor

O Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), uma das principais entidades do mercado editorial brasileiro, responsável pela realização da Bienal Internacional do Livro do Rio, já tem novo presidente. No dia 1º de janeiro, após sete anos à frente do SNEL, Marcos da Veiga Pereira, sócio da Sextante, passa a faixa para Dante José Alexandre Cid, engenheiro da computação e vice-presidente de Relações Institucionais para a América Latina da Elsevier, editora especializada em títulos técnicos e científicos. ele assume a presidência em meio às celebrações dos 80 anos do SNEL, completos em 22 de novembro. A festa será na próxima quarta-feira, no Gávea Golf Club. Em sua primeira entrevista à imprensa, Cid diz que a Lei do Preço Fixo, bandeira dos livreiros para enfrentar a concorrência desleal da Amazon, pode resultar na redução do preço do livro.

Os últimos presidentes do SNEL eram de editoras comerciais, mas você vem da área de livros técnicos e científicos, setor que encolheu 55% entre 2014 e 2019. De que maneira o SNEL pode ajudar?

Quero que um dos pilares do meu mandato seja o aumento da integração do SNEL com associações internacionais do setor editorial. Faço parte de dois comitês da International Publisher’s Association (Associação Internacional de Editores) e pretendo trazer um pouco das melhores práticas internacionais, facilitar o intercâmbio de tecnologia e firmar convênios com associações de outros países.

Em que pé está a luta contra a tributação do livro, incluída na proposta de reforma tributária enviada pelo governo ao Congresso?

Nossa luta é para que não haja obstáculos ao acesso à leitura, mas a situação política fez essa questão ser deixada de lado. Vamos esperar as três propostas de reforma tributária — da Câmara, do Senado e do Ministério da Economia. Alguns projetos são mais simplificados, o que facilita a luta pela manutenção da isenção tributária do livro. A diferença entre imposto, taxa e contribuição dificulta a elaboração da legislação. Projetos como o do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que prevê a isenção do livro, são anteparos importantes.

A participação do e-commerce no faturamento das editoras cresceu 84% em 2020. As livrarias, por outro lado, estão em dificuldades. Como anda a interlocução do SNEL com os livreiros?

Minha intenção é promover uma maior interlocução com as livrarias, físicas e virtuais. O patamar de vendas on-line deve se manter, porque a pandemia estimulou o brasileiro a adotar a compra virtual. Mas nada se compara a experiência de ir à livraria, manusear os livros e conversar com o livreiro. Torcemos para que o vazio deixado pela Saraiva e pela Cultura seja rapidamente preenchido por outras redes.

Uma demanda dos livreiros é a Lei do Preço Fixo, que limita a 10% os descontos sobre livros no primeiro ano de lançamento, o que tornaria mais justa a competição com os e-commerces. Há chances dessa discussão avançar?

Essa discussão andou adormecida por conta da pandemia, mas deve voltar. A experiência de países que adotaram leis similares é positiva. A Lei do Preço Fixo é fundamental para garantir equilíbrio na oferta. O problema é que o Brasil é escaldado com tentativas de regulamentação de preço. No passado, isso não deu certo. Temos que garantir uma concorrência equilibrada, especialmente nos lançamentos, para evitar a canibalização do preço por plataformas que não têm o livro como produto principal. É fundamental garantir que não haja abusos e que comerciantes que dependem exclusivamente do livro não saiam no prejuízo.

Os leitores vão aceitar a Lei do Preço Fixo? Isso não vai aumentar o preço do livro?

Vai haver uma reacomodação da precificação. Quando você sabe que o seu produto será vendido com descontos de até 40%, 50%, é natural aumentar o preço final para compensar os custos da cadeia produtiva. Se não houver mais descontos de 50%, ninguém vai precificar acima da capacidade de pagamento das pessoas. Todo mundo já entendeu que é melhor que o livro seja acessível a todos do que cobrar caro e vender pouco. Com a Lei do Preço Fixo, o livro pode ficar mais barato, não mais caro. Ninguém quer que ele seja um produto elitizado.

O que você gosta de ler?

Meu autor preferido é Umberto Eco (1932-2016). Quando ele se foi, lamentei muito que não íamos ter históricas como “O nome da rosa”. Normalmente, quem lê Eco tem aversão a Dan Brown. Eu adoro Dan Brown! Gosto de tudo que mistura mistério e História. Também gosto muito do Ken Follet.

A entrevista também ganhou destaque na edição impressa do jornal O Globo desta quinta-feira (02/12)

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