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Saiba como foi o Sabatina PublishNews com Marcos da Veiga Pereira

[Reprodução PublishNews]

“A gente sempre falou da necessidade de se ter mais livrarias no país. Uma indústria editorial saudável depende de uma rede de livrarias capilarizada”, defendeu Marcos da Veiga Pereira na sua participação do Sabatina PublishNews na última quarta-feira (29/09).

O sócio da Sextante esteve no centro da roda para fazer um balanço dos sete anos em que esteve à frente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). O fim do seu mandato coincidirá com o fim de 2021.

Marcos foi sabatinado pela economista Mariana Bueno, pelo editor Haroldo Ceravolo e pelo livreiro Bernardo Gurbanov e o programa foi conduzido por Talita Facchini.

Lei do Preço Fixo

A fala de Pereira sobre a capilaridade da rede de livrarias foi em resposta relacionada à Lei do Preço Fixo, que tramita no Congresso Nacional. Pelo projeto, varejistas ficariam obrigados a limitar o desconto ao consumidor final a 10% no primeiro ano de vida do livro.

“O que a lei tem de mais importante é a [preservação da] bibliodiversidade. Temos que convencer o cidadão de que, mais importante do que ele ter a possibilidade de comprar o livro com um desconto muito grande, é ele ter [acesso a] um acervo; é ele ter a publicação de mais ideias; é ele ter a possibilidade de ter um conjunto de livrarias mais forte, que possibilite a publicação de vários gêneros, que a gente não vá para a cultura do best-seller”, defendeu.

O presidente do SNEL lembrou ainda que foi na sua gestão que o sindicato mudou a chave e passou a apoiar a ideia de uma lei de fixação do preço. “Isso foi o ponto inicial da minha gestão. O próprio convencimento dos editores não foi fácil. O consenso era mais contrário do que a favor. Hoje conseguimos mudar esse cenário”, recordou.

Marcos aproveitou o gancho sobre a Lei do Preço Fixo para analisar a crise provocada pelo pedido de recuperação judicial de Cultura e Saraiva. “Existem lógicas diferentes para diferentes tipos de varejo. O varejista que só vende livros não consegue dar 30%, 40% de desconto. Agora, para um varejista que vende de tudo, a margem do livro fica muito grande”, analisou o executivo. “Em boa parte, Saraiva e Cultura quebraram porque resolveram atuar no varejo on-line praticando os mesmos descontos que os grandes varejistas praticam e perderam dinheiro”, completou.

Marcos da Veiga Pereira fez um balanço dos sete anos em que esteve à frente do SNEL e defendeu: “A gente sempre falou da necessidade de se ter mais livrarias no país. Uma indústria editorial saudável depende de uma rede de livrarias capilarizada”.

Pesquisas sobre o mercado editorial

Engenheiro de formação, Marcos tem uma conhecida familiaridade com os números. Muito por conta disso, as pesquisas encampadas pelo SNEL – incluindo a Produção e Vendas (PeV), realizada com a Câmara Brasileira do Livro (CBL), e o Painel do Varejo de Livros, com a Nielsen – ganharam força e desdobramentos na sua gestão.

Um dos aspectos apontados pela série histórica da PeV é que o preço do livro sofreu uma corrosão muito acentuada nos últimos anos. A pesquisa registra queda de quase 40%. “O preço pra mim sempre foi uma obsessão”, disse Marcos. Na avaliação do editor, a redução do preço sustentou um período próspero da indústria editorial, entre 1996 e 2011. “Fico muito triste que essa aposta não se manteve e isso significa que temos todo o trabalho para fazer ainda”, resumiu.

Sobre esse assunto, Marcos finalizou dizendo que deixa a presidência do SNEL num momento de recuperação. “O livro, curiosamente, foi revalorizado na pandemia. As pessoas estão lendo mais e lendo em vários formatos”, disse otimista.

Reforma tributária

Outro tema que fez parte da sabatina de Marcos foi a reforma tributária enviada pelo governo ao Congresso Nacional. Pela proposta, seria criada a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), uma alíquota de 12% que incidiria, inclusive, sobre o livro. Na opinião de Pereira, a CBS vai contra o espírito da Constituição. “A ideia por trás da imunidade constitucional é a de que o livro é um bem para toda a sociedade e não para a indústria editorial”, disse.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de a CBS ser aprovada, Marcos disse: “A gente tem muitos aliados. A própria Fernanda Melchionna (PSOL/RS), que esteve aqui [no Sabatina], apresentou um substitutivo. O Randolfe Rodrigues (Rede/AP) propôs uma PEC”. Apesar dos aliados, Pereira reconheceu que o assunto não é uma discussão fácil.

Leitura Inclusiva

Um outro capítulo importante tratado por Pereira no Sabatina foi a Lei Brasileira de Inclusão. Ele contou bastidores do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo Sindicato e pelo Ministério Público Federal. “Quando a gente falava sobre acessibilidade, íamos direto pro braile e aí é um desastre. Mas quando você vai pro livro digital, você já resolveu praticamente todo o problema e aí tem que lidar com algumas questões pontuais, como os livros ilustrados e os livros técnicos e científicos”, defendeu.

Bienal

A última Bienal Internacional do Livro Rio, realizada em 2019, foi marcada pela censura. O então prefeito do Rio de Janeiro tentou embargar o evento por conta de uma graphic novel que trazia nas suas páginas um beijo entre dois homens.

Marcos lembrou dos bastidores desse episódio que foi parar no Supremo Tribunal Federal e deu crédito aos diretores do SNEL, nominalmente, a Mariana Zahar e Eduardo Salomão.

E já que o assunto era a Bienal, defendeu mais uma vez a realização do evento de forma presencial, em 2021. A Bienal está marcada para acontecer entre os dias 3 e 12 de dezembro.

“Foi um ato de coragem a gente topar fazer a Bienal nesse ano”, disse. Ele reconheceu que as editoras receberam a decisão com preocupação e revelou que encontrou resistência, inclusive, por parte das equipes das editoras das quais ele é sócio.

“Confio muito na vacina. A gente vai estar, naquele momento, com 80% da população já com as duas doses”, defendeu.

Ele revelou ainda que a Bienal está fechando parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro para a visitação de alunos e professores.

“Vai ser um marco e um desafio encerrar a minha gestão com a Bienal, comemorando os 80 anos do SNEL e as 20 edições da Bienal”, concluiu.

Assista ao programa na íntegra:

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